quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Nunca te apaixones

Canova, Cupido e Psique

por quem te diz: "- Amo-te muito". Porque para quem ama muito, também ama pouco. E o amor quer-se inteiro, pleno. Nem muito, nem pouco.

Quando o mural do facebook se torna uma viagem de táxi


Não sei o que sucede aos amigos e conhecidos que temos tenho nas redes sociais, por vezes até aos mais instruídos, nem sempre os melhores educados, mas parece que são possuídos pela alma de algum taxista, não um qualquer, mas um daqueles que tem opinião sobre tudo e que termina sempre com um: -"Dantes é que era bom". Por favor, saiam desse corpo que não é o vosso; é muito triste assistir, não tanto à lavagem de roupa suja em público (para isso até vou buscar as pipocas), mas à pobreza franciscana da vossa argumentação, susceptível de causar vergonha alheia. Pelo menos a minha.


quarta-feira, 23 de Julho de 2014

O elogio do cabr@o


Quando as minhas amigas estão com dúvidas existenciais entre escolher o certinho ou o cabr@o, digo sempre para escolherem o cabrão. Qualquer um deles a poderá enganar: o cabr@o à descarada, o certinho às escondidas, como só os sonsos fazem, julgando que nunca vão ser descobertos. Por isso, é preferível que escolham os cabr@es. Assim como assim, é mais do que certo que as foder@o melhor. Literalmente.

terça-feira, 22 de Julho de 2014



Para além de tudo o que já se disse das próprias selfies, mas sobretudo daquelas que são tiradas na casa-de-banho, toalhas espalhadas, tampas do trono levantadas e sabe-se lá que mais, devo confessar que a minha dúvida é saber se na casa das pessoas há apenas um único espelho, o da casa-de-banho.

Lembrar o óbvio

Podereis adicionar quem quiserdes nas vossas redes sociais, com o intuito de a alargar e com isso aumentar as probabilidades de conhecer alguém interessante. Porém, isso não vos adiantará absolutamente de nada. A pessoa que vos irá fazer feliz, é quem vos vai adicionar.


segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Por favor

alguém avise aquelas pessoas que passam a vida a queixar-se que estão rodeadas de gente invejosa que só querem o seu mal, que ninguém, mas mesmo ninguém, consegue ter inveja da porra da sua vidinha que só consegue ver o mal dos outros em vez de ver o seu próprio mal.

(já sei, já sei, más companhias, pensais vós; isto é apenas do que observo ao longe, digo eu)


sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Só que não

Gosto muito daquelas pessoas com imenso bom ar, muito bem nascidas e muito bem arranjadas que só depois de terem comido mais de dois terços da empada de galinha é que vão pedir para trocar a dita, que tinha ossos de galinha, coisa nunca antes vista.


quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Nem para elas são boas


Não consigo perceber, se é por gostarem de sofrer, por acharem que o que é bom não pode fazer bem, mas o que é certo é que é muito mais fácil convencer alguém a comer um baldinho de merda (então se for gourmet ou do bairro, é num abrir e fechar de olhos), do que irem dar uma queca, que toda a gente que é bem melhor e só lhes faz bem.


Em contrapartida

Devido a esta febre dos gins tónicos, como se as pessoas que são pessoas não bebessem gin desde a adolescência e em copos que não deixam a tónica perder o gás*, olha-se para a prateleira das garrafas de gin, mais de 10 variedades e nenhuma é a que habitualmente consomes. 


*até as Doce têm uma música sobre o gin tónico; só agora é que acordaram para a vida?

Recuperar a fé na Humanidade



Está nos pequenos gestos do quotidiano, como estar na fila da caixa do supermercado a tirar as compras do cesto, verificar que o pacote de sementes de sésamo estava aberto, avisar a senhora que estava atrás de nós que íamos trocá-lo, mesmo sendo apenas cinco metros de distância, regressarmos e temos a senhora a tirar-nos as compras do carrinho, colocando-as no tapete, "porque entretanto tinha avançado, havia tapete livre e achei que podia ajudá-lo", mesmo quando a cliente anterior ainda não tinha sequer pago.


segunda-feira, 7 de Julho de 2014

DownTown Abbey revisited


Depois de um almoço de festa em família, enquanto tratava dos linhos de mesa, comecei a pensar que antigamente as lavadeiras podiam divertir-se a tentar adivinhar quem tinha usado qual, pelas marcas deixadas nos guardanapos: quem deixava o guardanapo imaculado; quem o deixava assim, mas amarrotado; quem passou ao almoço a dar voltas ao mesmo, tendo sido usado de ambos os lados; quem sobrepunha nódoas exactamente no mesmo local. 

Mas depois lembrei-me que não havia máquinas nem supergel* e que o que quereriam mesmo era despachar rapidamente o serviço.

*não, este post não é patrocinado

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

"Quando se gosta de alguém é de nós que não gostamos"*

Vitória de Samotrácia, Louvre

Na verdade, não foi para falar de não-assuntos do momento que escrevi os posts anteriores. Foi, em primeiro lugar, para confirmar que quem comentaria o primeiro não comentaria o segundo e vice-versa (desculpem-me qualquer coisinha cobaiazinhas branquinhas de olhinhos encarnados). Em segundo, para introduzir outro tema do momento (que também já o foi noutra altura), que decorre do primeiro ponto, e também para me interrogar da necessidade absoluta que o ser humano tem dos seus heróis e deuses. Sejam os filhos, os amantes, os pais, os artistas, os políticos. Contudo, fazem-no à maneira judaico-cristã - é esta a matriz que temos, genericamente, para o bem e para o mal. Isto significa que apenas podemos ter um Deus, que encarna todo o ideal de perfeição. No entanto, esquecemo-nos do que é realmente um Panteão e qual a cultura que o criou: a grega. Politeísta, em que os Deuses e heróis foram criados à semelhança humana (e não o contrário) e, como tal, com todas as suas virtudes e defeitos, toda uma gama de cinzentos entre o preto e o branco. 
O que significa que sim, enalteçamos as façanhas heróicas dos nossos Deuses, mas nunca nos esqueçamos que também eles também têm pés de barro. E que somos nós que os colocamos num pedestal.

*Amália Rodrigues

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Pergunta para queijinho

Alguém sabe quem poderá ter dito a frase entre aspas do post anterior?


Eu não sou psicólogo, nem psiquiatra, nem percebo nada dessas coisas

Já sei o que me vão dizer. Que não sou pai, muito menos mãe. Ainda assim, continuo a não achar saudável (para não lhe chamar normal) os pais que substituem a falta de amor conjugal (em sentido lato, de relação afectiva) pelo amor aos filhos. Dizer qualquer coisa como: "O meu filho foi o único homem que até hoje não me desiludiu" é sintomático de que alguém tem sérios problemas, não só na sua vida amorosa, mas também na forma como vive a sua relação com a sua prole; são relações distintas que não podem ser comparadas. Não é suposto os filhos serem um substituto para a falta de vida amorosa ou para a desilusão e sofrimento que esta provoca. São coisas absolutamente distintas. Além de que os filhos desiludem sempre, parece-me é que os pais, genericamente, estão muito mais ceguinhos para os filhos que para a respectiva cara-metade.




quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Memorando para jantares futuros

Certificar-me antecipadamente que o restaurante onde quero ir jantar não está fechado (de vez ou descanso semanal). Fazer reserva, mesmo que sejam só duas pessoas para um dia de semana que não quinta ou sexta (terça é a nova quinta-feira?). Pensar em alternativas viáveis que não impliquem andar às voltas no Bairro Alto à procura de um restaurante que não esteja a abarrotar, inundado de turistas, não faça grelhados, ou não seja disparatadamente caro. Comer qualquer coisinha antes de sair de casa, não vá correr tudo mal. Levar sapatos confortáveis. Arranjar desculpas que possam servir para que a cara-metade não nos rogue uma praga por não ter reservado mesa. Assumir que a culpa de serem dez horas, estarmos cansados, cheios de apetite e de andarmos às voltas é toda minha. Ir parar a um restaurante que estava há anos para ir e ter adorado (é, literalmente, a minha cara). Termos passado a ter o nosso restaurante.

Não, não vou dizer qual é.

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Dúvidas XXIX

Confesso que não consigo perceber se deva admirar a persistência de alguém que espera que o objecto do seu desejo comece uma relação que dura n anos e espera que esta acabe para então se envolver (após algumas tentativas e golpes baixos) ou se sinta pena por não ter sequer consciência de que se tratará sempre de uma segunda opção.